quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Revolução Racial - por Jared Taylor


Todo mundo sabe que durante os últimos 50 anos ou quase houve mudanças fundamentais no modo como os americanos pensam sobre raça. Na verdade, o que ocorreu não é nada menos do que uma revolução, uma rejeição completa do que as gerações anteriores de americanos -- dos tempos coloniais até talvez os anos 50 -- tinham como obviedades.

Embora o atual pensamento racial seja tão monolítico que é difícil se imaginar como os americanos poderiam ter pensado diferente, podemos ter uma idéia da radicalidade da mudança se tentarmos imaginar mudanças igualmente profundas: como seria se os Estados Unidos revertessem a revolução sexual completamente e retornassem ao decoro vitoriano em apenas umas poucas gerações? Ou um país deixar de ser profunda e universalmente religioso e se tornar ateu? Ou ele abandonar o princípio da propriedade privada e mudar para uma vida comunal em estilo hippie?

Os Estados Unidos passaram por uma revolução que não é apenas dramática, mas de se ficar perplexo em outro respeito: o que um dia se considerou óbvio sobre as raças não só se tornou fora de moda, mas imoral. Apenas revoluções trazem mudanças morais tão vastas, de uma ponta a outra do horizonte.

Os pressupostos de ontem 

O melhor modo de medir a extensão da revolução é comparar o presente com o passado. O contraste é de cair o queixo. Praticamente todas as figuras históricas foram, pelos padrões de hoje, incuráveis supremacistas brancos.

Há até poucos anos atrás, praticamente todos os americanos acreditavam que a raça era um aspecto profundamente importante da identidade nacional e individual. Eles acreditavam que as pessoas de diferentes raças diferiam em temperamento e capacidade e que os brancos construíam sociedades que eram superiores àquelas construídas por não-brancos. Eles sentiam repulsa à miscigenação -- que chamavam de "amalgamento" -- porque diluiria as características únicas dos brancos. Eles tinham como óbvio que os Estados Unidos deveriam ser povoados com europeus e que a civilização americana não poderia continuar sem brancos. Muitos viam a presença de não-brancos nos Estados Unidos como um fardo terrível.

Entre os fundadores, Thomas Jefferson escreveu bastante sobre raça. Ele achava que os negros eram mentalmente inferiores aos brancos e embora achasse que a escravidão era uma grande injustiça, não queria negros livres na sociedade americana: "Quando libertado, (o negro) deve ser removido para além da possibilidade de mistura." Jefferson foi, portanto, um dos primeiros e mais influentes proponentes da "colonização", ou mandar os negros de volta à África.

Ele também acreditava no destino dos brancos como um grupo humano racialmente consciente. Em 1786 ele escreveu: "Nossa Confederação (os Estados Unidos) deve ser visto como o ninho a partir do qual toda a América, Norte e Sul, será povoada." Em 1801 ele ansiava pelo dia em que "nossa rápida multiplicação se expandirá --- por todo o norte, senão no continente sul, com um povo falando a mesma língua, governado de forma similar e por leis similares; nem podemos contemplar com satisfação mancha ou mistura nesta superfície." O império deveria ser homogêneo.

Jefferson achava que os Estados Unidos eram o último posto avançado na marcha em contínua expansão dos anglo-saxões, o ramo saxão originado na península da Dinamarca e Schleswig-Holstein. Ele pensava nos saxões quando propôs um decreto, em 1784, para se criarem novos estados no vale do Mississipi, sugerindo o nome de Chersonesos [N. do T: "península", em grego] para a área entre os lagos Huron e Michigan. Em sua forma, ela o lembrava da Dinamarca. A raça não deveria se esquecer de suas origens.

James Madison, como Jefferson, acreditava que a única solução para o problema racial era libertar os escravos e mandá-los embora. Ele propôs que o governo federal vendesse terras públicas para levantar as enormes somas necessárias para comprar a população negra inteira e enviá-la de navio para o exterior. Ele defendeu uma emenda constitucional para se estabelecer uma sociedade de colonização a ser gerida pelo presidente. Após seus dois mandatos no cargo, Madison serviu como presidente da American Colonization Society, à qual ele dedicou muito tempo e energia.

Os seguintes americanos proeminentes foram não só membros, mas autoridades da sociedade: Andrew Jackson, Henry Clay, Daniel Webster, Stephen Douglas, William Seward, Francis Scott Key, Gen. Winfield Scott, e dois juízes da Suprema Corte, John Marshall e Roger Taney. Quanto a James Monroe, a capital da Libéria se chama Monróvia em gratidão a sua ajuda em devolver os negros à África.

Abraham Lincoln considerava os negros como -- em suas palavras -- "uma presença incômoda" nos Estados Unidos. Durante os debates entre ele e Douglas, ele disse:
“... Não sou nem nunca fui a favor de se transformarem os negros em eleitores ou jurados, nem de qualificá-los para assumirem cargos públicos ou se casarem com brancos; e eu direi além disto que há uma diferença física entre as raças branca e negra que eu acredito que para sempre impedirá as duas raças de viverem juntas em termos de igualdade social e política. E tendo em vista que elas não podem viver assim, enquanto permanecerem juntas deve haver uma posição de superior e inferior e eu, tanto quanto qualquer outro homem, sou a favor de se ter a posição superior reservada à raça branca."
Também ele defendeu a colonização e mesmo em meio a uma guerra desesperada com a Confederação encontrou tempo para estudar o problema e indicar o reverendo James Mitchell como comissário da Emigração. Seria preciso lidar com os negros livres e era melhor planejar com antecedência e encontrar um lugar aonde eles pudessem ser enviados.

Até Lincoln, nenhum presidente jamais tinha convidado um grupo de negros para discutir política pública na Casa Branca. Foi o que Lincoln fez, em 14 de agosto de 1862 -- para pedir aos negros que deixassem o país: "Há uma indisposição da parte de nosso povo, por mais duro que isto possa ser, em que vocês, pessoas de cor livres, permaneçam entre nós," explicou ele. Ele então exortou a eles e os de sua raça a irem para um local de colonização na América Central sobre o qual seu comissário para a Emigração havia pesquisado. Mais tarde, naquele mesmo ano, em uma mensagem ao Congresso, ele chegou a defender a remoção forçada dos negros livres.

Seu sucessor, Andrew Johnson, não pensava diferente: "Este é um país para brancos e, por Deus, enquanto eu for presidente, ele terá um governo para brancos..." Como Jefferson, ele pensava que os brancos tinham um destino claro: "Todo este vasto continente está destinado a ficar sob o controle da raça anglo-saxônica -- a raça independente."

Antes de se tornar presidente, James Garfield escreveu: "Sinto grande repugnância quando penso nos negros se tornando nossos iguais políticos e ficaria feliz se eles pudessem ser enviados para colônias, para o raio que os parta [sent to heaven], ou se pudêssemos nos livrar deles de qualquer modo decente..." 

E os presidentes do século 20? Theodore Roosevelt achava que os negros eram "uma raça perfeitamente estúpida" e culpava os sulistas por tê-los trazido para a América. Em 19001 ele escreveu: "Não consigo divisar nenhuma solução para o terrível problema criado pela presença dos negros neste continente... eles estão aqui e não podem nem ser mortos nem removidos..." Quanto aos índios, ele certa vez disse: "Não vou tão longe ao ponto de dizer que os únicos índios bons são os índios mortos, mas acredito que nove em dez são e eu não me importaria muito de saber sobre a saúde do décimo.”

William Howard Taft disse a um grupo de estudantes universitários negros: "A raça de vocês está apta a ser uma raça de agricultores, primeiro, por último e para todos os tempos."

Woodrow Wilson era um segregacionista jurado e como presidente da Universidade de Princeton ele impediu os negros de se matricularem. Ele fez valer a segregação nas agências do governo e nisto foi apoiado por Charles Eliot, presidente de Harvard, que sustentou que não se podia esperar que "brancos civilizados" trabalhassem para "negros bárbaros." Durante a campanha presidencial de 1912, Wilson assumiu uma postura firme a favor de se excluírem os asiáticos: "Eu defendo a política nacional de exclusão... Não podemos ter uma população homogênea com um povo que não se mistura com a raça caucasiana... O coolieismo oriental nos dará mais outro problema racial para resolvermos e certamente já aprendemos nossa lição.”

As opiniões de Warren Harding eram muito pouco diferentes: “Os homens de ambas as raças bem podem se manter irredutivelmente contrários a qualquer sugestão de igualdade social. Esta não é uma questão de igualdade social, mas uma questão de se reconhecer uma diferença fundamental, eterna e inescapável. Não há de haver amalgamento racial.”

Henry Cabot Lodge era de opinião de que "há um limite para a capacidade de qualquer raça assimilar e elevar uma raça inferior e quando se começa a despejar dentro um número ilimitado de pessoas de raças alienígenas e inferiores, de menor eficiência social e menos força moral, corre-se o risco mais terrível que qualquer povo pode correr."

Em 1921, como vice-presidente eleito, Calvin Coolidge escreveu sobre a base para uma política de imigração segura: "Há considerações raciais sérias demais para serem colocadas de lado por quaisquer razões sentimentais. As leis biológicas nos dizem que certas pessoas divergentes não se misturarão... A qualidade da mente e do corpo sugere que a observação das leis étnicas é de necessidade tão grande para uma nação quanto as leis da imigração."

O deputado William N. Vaile, do Colorado, foi um proeminente defensor da legislação de imigração de 1924, que estabeleceu a política vigente até a revolução dos anos 60. Ele explicou sua oposição à imigração não-branca deste modo:
“Os nórdicos não precisam se envaidecer de suas próprias qualificações. Convêm-lhes ser humildes. O que nós afirmamos é que os europeus do norte e em particular os anglo-saxões fizeram este país. Sim, os outros ajudaram. Mas esta é a descrição completa da questão. Eles vieram a este país porque ele já estava feito como uma comunidade anglo-saxã. Eles acrescentaram a ela, eles muitas vezes a enriqueceram, mas eles não a fizeram e ainda não a mudaram muito. Estamos determinados a que não a mudem. Este é um bom país. Ele nos convém. E o que afirmamos é que não vamos ceder ele para alguém mais ou permitir a outro povo, não importa seus méritos, que o torne em algo diferente. Se houver alguma mudança a ser feita, faremos ela nós mesmos.”
Harry Truman é lembrado por ter integrado as Forças Armadas por ordem do Executivo. Entretanto, em sua correspondência privada, ele era tão separatista quanto Jefferson: "Eu sou fortemente de opinião que os negros deveriam ficar na África, os amarelos na Ásia e os brancos na Europa e na América." Em uma carta a sua filha, ele descreveu os garçons da Casa Branca como um "exército de tições." 

Um presidente recente como Dwight Eisenhower sustentava que embora pudesse ser necessário dar aos negros certos direitos políticos, isto não significava igualdade social "ou que um negro pudesse cortejar minha filha." É só com John Kennedy que encontramos um presidente cujos pronunciamentos públicos sobre as raças começam a ser aceitáveis para os padrões contemporâneos. 

Os políticos expressam opiniões cautelosas e não-controvertidas, e seus sentimentos eram refletidos por homens de letras, também. Ralph Waldo Emerson, por exemplo, acreditava que "é nos traços profundos da raça que a fortuna das nações está escrita." Walt Whitman escreveu: "Quem acredita que brancos e negros possam jamais se amalgamar na América? Ou quem deseja que isto aconteça: A natureza colocou um selo intransponível contra isto. Além do mais, a América não é para os brancos? E ela não é melhor assim?" Jack London era um notório socialista, mas ele não achava que o socialismo fosse universalmente aplicável. Ele havia, escreveu ele, "sido planejado para estas específicas raças favorecidas, para que elas pudessem sobreviver e herdar a terra, com a extinção das raças menores e mais fracas." Mark Twain, em um ensaio que não aparece mais em antologias populares, descreveu certa vez os índios americanos como "candidatos aptos ao extermínio."

Na verdade, não há limites para as citações "racistas" que podem ser desenterradas dos proeminentes americanos do passado, mas opiniões que são consideradas inaceitáveis para os padrões de hoje eram tão disseminadas que praticamente qualquer um que dissesse algo sobre as raças refletiria estas opiniões.

Desnecessário dizer que isto envergonha os guardiões da ortodoxia de hoje. A maioria dos historiadores ignora ou disfarça as opiniões raciais das figuras proeminentes e a maioria das pessoas hoje não faz ideia de que Lincoln ou Roosvelt eram "supremacistas brancos" tão declarados. Algumas pessoas distorcem deliberadamente as opiniões dos grandes americanos. Por exemplo, inscritas no mármore interior do Memorial a Jefferson estão as palavras: “Nada é mais de mais certo está escrito no livro do destino do que que estas pessoas (os negros) serão livres." Jefferson não parou por aí, mas continuou e disse, "Nem é menos certo que estas duas raças igualmente livres não podem viver sob o mesmo governo" -- o que muda um bocado o efeito.

Uma outra abordagem a Jefferson é trazer à tona todos os fatos e então tentar repudiá-lo. Conor Cruise O’Brien fez isto em uma história de capa de 1996 da Atlantic Monthly. Após descrever as opiniões de Jefferson, ele escreve:
“Daí se segue que não pode haver espaço para um culto a Thomas Jefferson na religião civil de uma América praticamente multirracial -- ou seja, em uma América na qual os não-brancos têm um poder de decisão significativo e crescente. Uma vez que se conhecem os fatos, Jefferson é necessariamente abominável a pessoas que,  se dependesse dele, simplesmente não estariam na América." Richard Grenier concorda, ao comparar Jefferson ao chefe da Gestapo nazista Heinrich Himmler e pedindo a demolição do Memorial a Jefferson "pedra por pedra".
É muito bom ficar indignado com as opiniões de Jefferson 170 anos após sua morte, mas se começarmos a purgar os "racistas" da história americana, quem vai sobrar? Se demonizarmos Jefferson, temos que repudiar tudo o que aconteceu nos Estados Unidos até os anos 60 -- que é precisamente o que a revolução no pensamento racial por lógica requer.

Afinal de contas, até 1964, qualquer empregador podia se recusar a contratar não-brancos e comerciantes podiam se recusar a fazerem negócios com quem quisessem. Até 1965, as leis de imigração eram feitas para manter o país branco. Em 1967, quando a Suprema Corte as decretou inconstitucionais, 20 estados ainda tinham leis anti-miscigenação nos livros. Os congressos estaduais estavam indispostos a revogarem leis que refletiam os costumes e ideais de gerações de americanos.

A revolução 

Então, como uma sociedade lida com uma revolução que vira o senso comum de eras anteriores de cabeça para baixo? Uma coisa que muda é a língua. Como o pensamento de homens como Lincoln e Wilson era muito disseminado, não havia uma necessidade de um termo especial para descrevê-lo. Assim como não há uma palavra para descrever somente aqueles dias no qual o sol nasce -- porque ele nasce todo dia --, não havia palavra para descrever as pessoas que pensavam em raças do mesmo modo que eles.

A palavra "racismo", portanto, só apareceu nos anos 30 e era uma descrição, não do pensamento americano, mas da ideologia nazista. Somente nos anos 60 é que a palavra se tornou comum em seu uso corrente e ainda em 1971 o Oxford English Dictionary não tinha uma entrada para ela. Fomos capazes de estabelecer a escravidão, aboli-la, estabelecer [as leis de] Jim Crow e aboli-las também sem jamais usarmos uma palavra que os jornais de hoje acham indispensável. Quando nossos ancestrais escreviam sobre raças, eles escreviam sobre antagonismos, gentileza, hostilidade, admiração, ódio e um monte de outros sentimentos, mas nunca sobre "racismo". A palavra não aparece nem mesmo em um livro tardio e influente como An American Dilemma, de Gunnar Myrdal , publicado em 1941. Somente no contexto dos pressupostos de meados do século 20 é que a palavra se tornou necessária para condenar o que as pessoas sempre viram como obviedades.

Mesmo o antecessor da palavra, o "preconceito racial", é uma construção recente (é o termo que Myrdal usava). O que quer que Abraham Lincoln ou Theodore Roosevelt pensassem sobre outras as raças, eles se sentiriam insultados se lhes dissessem que aquilo era um preconceito, ou seja, um julgamento pré-concebido e insensato. "Preconceito racial" foi uma criação particularmente esperta, porque dava a entender que as atitudes dos brancos eram uma forma de ignorância que podia ser curada com uma educação adequada. Ela conseguia desacreditar enquanto parecia descrever.

O que os americanos praticavam tradicionalmente era a discriminação racial, ou seja, eles faziam distinções. Escolha e liberdade são impossíveis sem discriminação e um "homem discriminador" [a discriminating man] é alguém que sabe a diferença entre as coisas e escolhe com sabedoria. Discriminação, -- a coisa mais necessária e natural que as pessoas fazem -- agora é chamada de "intolerância", "radicalismo" [bigotry].

A própria novidade de termos como "racismo" e "preconceito racial" é razão bastante para se suspeitar deles. Definir um grave defeito moral com palavras que sequer existiam no tempo de nossos avós não é um sinal de mudança social normal. É pânico e histeria.

A revolução racial foi como a revolução russa, que também virou o senso comum de cabeça para baixo. Na União Soviética, a motivação do lucro, que havia sido a força econômica motivadora de todas as economias na história, tornou-se um pecado contra o povo e novas palavras tiveram que ser inventadas contra novos crimes. Pessoas que ainda acreditavam na propriedade privada  tinham um "mentalidade pequeno-burguesa". Os que queriam guardar o que haviam ganho estavam "roubando do Estado". Qualquer um que defendesse os mercados livres era  um "lacaio do imperialismo". Após a queda do comunismo, o senso comum foi reabilitado e todos os novos crimes e palavras para descrevê-los desapareceram.

Ironicamente, durante os anos que levaram ao retorno do senso comum no antigo Bloco Oriental, o processo contrário continuou no Ocidente. O "racismo" foi de um sucesso tamanho que inspirou a descoberta de todo tipo de novos crimes: sexismo, aparenticismo, ableísmo, especismo, machismo, homofobia, nativismo, etc. Descobriu-se que distinções saudáveis eram, uma a uma, crimes. Deve ser uma experiência única do século 20 que um grande número de pessoas seja acusada de crimes para os quais as próprias palavras que os definiam haviam sido recém-inventadas.

As regras para os brancos 

Mas afinal, o que é o racismo? Para os brancos (e só para os brancos), é qualquer coisa que se desvie dos seguintes princípios: raça é um assunto absolutamente insignificante. Não significa nada, não explica nada e não quer dizer nada. As raças são não apenas iguais, mas são permutáveis. Portanto, não faz diferença se a vizinhança se tornar mexicana, ou se o país se tornar não-branco ou se os seus filhos, leitor, se casarem com haitianos. Para os brancos, raças não são um critério válido para qualquer propósito e qualquer decisão tomada com base em raça é imoral. Para os brancos, só de se perceberem as raças já é "racismo."

É claro que isto contradiz um dos atuais mitos sobre a América, de que a diversidade racial é uma de nossas grandes forças. Se as raças são equivalentes, como a diversidade racial pode ter qualquer significado que seja? Para a diversidade racial ser uma força (ou uma fraqueza, ou ser sequer percebida), as raças devem ter algum tipo de significado, e se as raças significam algo, por que é errado que os brancos levem as raças a sério, tanto em suas vidas pessoais quanto em suas opiniões políticas?

Os benefícios da diversidade racial agora supostamente são tão importantes que elas justificam "ação alternativa" ou discriminação contra os brancos. Se a diversidade racial é tão preciosa, a raça tem que ser algo significativo. Mas se a raça é tanto real quanto importante, por que é errado perceber e se importar com o significado dela? Por que é errado os brancos acharem que estas diferenças não são de seu agrado?

Presumivelmente, a teoria é que embora as raças sejam essencialmente equivalentes e intercambiáveis, os negros, por exemplo, sempre tiveram experiências diferentes dos brancos, e os brancos se beneficiam com o contato com a "cultura" diferente que os negros adquiriram. E se ela é tão diferente que precisa-se recorrer a "ação afirmativa" a fim de expor os brancos a ela, alguns brancos não vão gostar nem um pouco dela e vão decidir que não querem nada com ela.

A explicação real e não mencionada por que a diversidade é uma força é que a raça é de fato algo significativo. A diversidade expõe os brancos a pessoas superiores e modos superiores de pensamento. Afinal de contas, os sermões sobre a diversidade são dirigidos somente aos brancos. Supõe-se que trazer não-brancos para os campi universitários ou para o clube seja benéfico e edificante para os brancos, não para os não-brancos.

Deve ser uma das experiências únicas do século XX que multidões inteiras sejam acusadas de crimes cujas próprias palavras que os descrevem acabaram de ser inventadas. 

Na verdade, a ideia de que os brancos são inferiores ou pelo menos profunda e unicamente imperfeitos é a única ideia claramente racial que se permite aos brancos que ele tenham sobre si mesmos. Fora do submundo da imprensa "racialista", é impossível encontrar os brancos retratados em termos positivos enquanto raça. Nos últimos 30 anos, provavelmente nenhuma figura pública ou comentarista mainstream expressou orgulho ou satisfação por ser branco ou exortou outros brancos a fazê-lo. Pelo contrário, em qualquer discussão de raça, é obrigatório escrever pejorativamente sobre os brancos, lembrá-los de seus crimes passados e futuros, fazê-los se sentirem envergonhados de serem brancos. A maioria das vezes, espera-se dos brancos que eles acreditem que a raça é simplesmente uma categoria vazia, mas que se for para eles terem um único sentimento explicitamente racial sobre si mesmos, deve ser vergonha.

O autor negro James Baldwin uma vez escreveu que qualquer indivíduo branco que queira um verdadeiro diálogo sobre raça deve começar com uma confissão que não é nada além de "um grito pedindo por ajuda e cura." Talvez a colunista Maggie Gallagher estivesse gritando pedindo ajuda quando ela escreveu que pensa em si como uma americana, católica e às vezes como irlandesa-americana, mas acrescentou, "Eu odeio a ideia de ser branca... eu nunca penso em mim mesma como pertencendo à 'raça branca'. Os que pensam, em minha experiência, são invariavelmente perdedores procurando consolação para seus próprios fracassos. São poucas as coisas mais degradantes em que consigo pensar, do que se ter orgulho de ser branco."

Para a maioria dos brancos, o único momento em que eles podem alguma vez falar como brancos, é para pedirem desculpas. O presidente Clinton é típico. Quando ele fala como homem branco é para pedir desculpas pelo experimento médico de Tuskeegee, que deixou homens negros sem tratamento para a sífilis, ou para pedir desculpas pela escravidão.

“A raça branca é o câncer da história humana", diz Susan Sontag. "A traição à raça branca é lealdade à humanidade," diz Noel Ignatiev da revista Race Traitor. Ele quer "abolir a raça branca -- por quaisquer meios necessários." Christine Sleeter escreve que "A raça branca... passou a significar um materialismo voraz, individualismo competitivo e um modo de vida caracterizado por colocar a aquisição de bens acima da humanidade." Isto supostamente  é o tipo de coisa em que a filha do presidente William Clinton, Chelsea, deveria pensar quando sua professora do ensino médio fez ela escrever uma redação intitulada "Por que tenho vergonha de ser branca." A resenha sobre o manual de treinamento de professores, na edição anterior da American Renaissance [N. do T: a revista onde este artigo foi originalmente publicado], está recheada de ideias criativas sobre como fazer os brancos pedirem desculpa por sua raça e por sua própria existência.

A celebração do aniversário de Martin Luther King é uma orgia de apologia branca. King passou sua vida dizendo aos brancos que eles estavam errados. Hoje se considera este um papel tão valioso que não faz nenhuma diferença se ele foi um plagiário, adúltero e simpatizante comunista. Por ter tido sucesso em persuadir tantos brancos de que eles eram perversos, ele hoje eclipsa George Washington como o santo secular mais venerado da América. Só os brancos poderiam tornar em herói um homem que passou a vida denunciando eles.

A Solução Final

Então, onde a revolução nos trouxe? Os brancos devem fingir que a raça é insignificante. Eles não têm aspirações grupais legítimas. A diversidade racial é uma coisa boa se vier às custas dos brancos. A escravidão é um crime pelo qual nós -- e apenas nós -- devemos ser para sempre culpados. A conquista do continente não foi uma expansão civilizacional, mas um estupro e uma abominação. Não temos direito a esta terra, mas devemos deixar entrar todos os grupos de terceiro-mundistas que arruinaram seus próprios países e que vão arruinar o nosso na maior animação. A se acreditar na propaganda dos últimos 50 anos, devemos repensar e abandonar praticamente tudo a relacionado aos Estados Unidos. Os brancos são uma raça de uma perversidade única, e quanto antes formos empurrados de lado por virtuosos não-brancos, melhor.

Mais uma vez, nós podemos confiar no presidente Clinton para nos mostrar o caminho. Ele diz que depois da independência da Inglaterra e da Guerra Entre os Estados, a redução dos brancos a uma minoria será "a terceira grande revolução da América." Ele aguarda ansioso pelo desafio de ver "se nós podemos provar que podemos literalmente viver sem ter uma cultura europeia dominante."

O ex-parlamentar Robert Dornan, da Califrórnia, concorda. Em 1996, enquanto ainda estava na Casa, ele disse, "Eu quero ver a América continuar uma nação de imigrantes. E se perdermos nosso patrimônio norte-europeu -- a sua cor e a minha, olhos azuis e pele clara -- azar!" Na eleição seguinte, ele perdeu para uma hispânica, Loretta Sanchez. É exatamente para isto que a empolgação do Sr. Dorman com a imigração o deveria ter preparado -- seu eleitorado tinha rapidamente se tornado hispânico -- mas, pelo visto, não foi o caso. Ele se recusou a admitir a derrota e acusou os apoiadores da senhorita Sanchez de fraude eleitoral. Ele, entretanto, não mudou sua posição em relação à conveniência de os brancos se tornarem uma minoria.

E não são só os americanos que aguardam ansiosos pela própria aniquilação. Gwynne Dyer, uma jornalista canadense radicada em Londres, tem como certo que a "diversificação étnica" é uma coisa boa para os países brancos, mas observa que o Canadá e a Austrália, que abriram suas fronteiras à imigração não-branca, estão tentando “fazer o bem de modo sorrateiro" Os políticos entendem as vantagens da diversidade, mas acham que não devem deixar os brancos comuns saberem o que está acontecendo: "Que a mágica faça seu trabalho, mas não fale sobre ela na frente das crianças. Elas vão ficar zangadas e estragar tudo." Serem reduzidos a uma minoria será bom para os brancos, mas esta perspectiva deve ser escondida deles como um segredo, por medo de que eles possam se opor. A senhorita Dyer aguarda ansiosa pelo dia em que os políticos posam ser mais abertos sobre a destituição de seu próprio povo.

Pauline Hanson é a famosa política australiana que não quer que os brancos se tornem uma minoria. Tal ponto de vista é "racista", claro, e um australiano  escrevendo no Washington Post descreve as pessoas para quem a senhorita Hanson fala como sendo "a besta" que está "viva e passando bem, contorcendo-se viscosamente." Não há dúvidas de que estas forças detestáveis serão derrotadas. O Chicago Tribune deu a um artigo sobre a senhorita Hanson o subtítulo: “Um novo partido anti-imigração atrai alguns australianos que ainda alimentam ideias sobre a Austrália continuar a ser uma sociedade caucasiana." Imagine só: ainda há alguns poucos australianos que "alimentam a ideia" de que seu país deveria se manter branco.

Claro, reduzir os brancos a uma minoria é apenas um bom primeiro passo; com casamentos inter-raciais em número suficiente, pode-se fazer com que os brancos desapareçam completamente. Tornou-se cada vez mais comum, portanto, se propor a miscigenação como a solução final para o problema racial. "Seria muito mais fácil se todos nós fôssemos aparentados com alguém de outra cor e se, por fim, todos nós fôssemos de uma só cor", escreve Morton Kondracke na New Republic; “Nos Estados Unidos, isto pode acontecer." "Eu acho que o casamento inter-racial pode ser a única saída [para nossos problemas raciais]," escreve Jon Carroll, do San Francisco Examiner. Ben Wattenberg, observando o aumento nos casamentos inter-raciais, escreve com alegria, "Será que isto tudo quer dizer que vamos entrar no próximo século com a raça sendo uma questão bem menos importante? Que todos nós vamos terminar repousados e misturados? Que (como eu acredito) nós vamos cumprir nosso destino como a primeira nação universal?”

Até os "conservadores" acham que o casamento inter-racial é a resposta. Douglas Besharov, do American Enterprise Institute, diz que ele pode ser "a melhor esperança para o futuro das relações raciais nos Estados Unidos." Em um livro recente, Stephen e Abgail Thernstrom escrevem que "o desmoronamento do tabu a respeito das relações sexuais entre as duas raças [negra e branca]" é "uma boa notícia", porque isto tornará impossível se fazerem distinções raciais.

John Miller é repórter da National Review, que é considerada a principal revista "conservadora" nos Estados Unidos. Ele acha que a miscigenação é inevitável e pode ser o único meio de se acabar com a tensão racial. “Talvez o melhor meio de solapar a ideologia dos direitos grupais seja se permitir que este processo natural de assimilação continue seu trabalho ao longo das gerações, à medida em que as pessoas com um histórico de miscigenação se casam e têm filhos.” “No futuro," acrescenta ele de modo confiante, "todo mundo vai ter uma avó coreana." Este é o final feliz. À medida em que se tornarem uma minoria, os brancos vão se dissolver em um glorioso café com leite.

Não só este foi o exato oposto do que os pais fundadores tinham em mente, isto não foi nem o que os ativistas raciais de umas poucas décadas atrás tinham em mente. As mudanças pós-1965 na política de imigração supostamente não deveriam alterar o equilíbrio étnico. O movimento por direitos civis supostamente iria inaugurar uma nova Camelot de harmonia e compreensão racial. Ambas as previsões estavam totalmente erradas: o percentual de brancos está encolhendo e há poucos que acreditem que as relações raciais são boas. O que devemos fazer? Simplesmente jogar o país em um liquidificador e nos livrarmos totalmente da questão racial. Os brancos são apenas 15 por cento da população mundial e estão tendo talvez sete por cento dos bebês do mundo. Ninguém está propondo o tratamento do liquidificador para a África ou a Ásia.

São só os brancos que foram roubados de qualquer defesa intelectual contra esta solução final. A raça é um critério proibido -- ao menos para seus propósitos -- e os brancos, de todo modo, são uma turma de causar vergonha. Um povo cujo único sentimento coletivo é a culpa bem pode terminar desaparecendo. Percorremos um longo caminho desde o ideal de Jefferson, de europeus enchendo as Américas de norte a sul.

Pierre Vergniaud (1753-1793) foi um advogado e político revolucionário que, como tantos outros, terminou na guilhotina. Foi ele quem disse que a revolução "poderia, por sua vez, devorar cada um de seus filhos". A nossa revolução, se não for freada, certamente vai devorar nossos filhos.

Entretanto, revoluções que violam as leis da natureza humana por fim naufragam. Algum dia, a nossa vai vir abaixo, à medida em que a biologia se reafirmar sobre a sociologia e a consciência racial reacordar. A União Soviética caminhou aos tropeções durante 75 anos, até sua revolução desabar sob seu próprio peso. A revolução racial está a pleno vapor há 50 anos e suas contradições e absurdos nunca foram tão evidentes.


Jared Taylor :  The Racial Revolution American Renaissance, maio de 1999

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